IN MEDIAS RES

NO MEIO DAS COISAS

72min Portugal 2013

argumento e realização LUCIANA FINA
a partir dos textos de MANUEL TAINHA

“The most solid and substantial role that architecture has always played is that of the construction of the places where people interact with one other, with nature, with other creatures and with inanimate objects. And where space, time and movement are not absolute concepts...”

Manuel Tainha

Personalidade incontornável do pensamento arquitectónico em Portugal e do seu confronto com a modernidade, Manuel Tainha abre o seu atelier nos anos 50 e concebe projectos durante quase seis décadas, traduzindo a inquietação de uma “arquitectura em questão” no paralelo e constante exercício da escrita.

A partir dos textos do arquitecto Manuel Tainha e de conversas gravadas entre 2010 e 2012, o filme propõe uma leitura cinematográfica do pensamento e do universo do arquitecto, um diálogo com a sua ética e poética.

Dando corpo à palavra, à reflexão e às fontes de inspiração, bem como ao constante confronto com as outras artes, o filme acompanha-nos num percurso através de três obras, projectadas e construídas entre os anos 50 e 70, filmadas hoje, num momento significativo da sua existência.

O documentário nasce no âmbito de um projecto de produções cinematográficas da Fundação Gulbenkian sobre grandes vultos da arquitectura portuguesa do século XX, cujos espólios foram recentemente doados à Biblioteca de Arte da Fundação.


Notas de intenções

“O homem apropria-se do meio circundante, não é só pela razão, não é só pelo intelecto, e também pela sensibilidade e muito pela sensibilidade, pela imaginação, pela memória, quer dizer, tudo concorre para dar um sentido a uma vida, à nossa vida… e à noção do lugar que ocupa… “ (MT)

Com Manuel Tainha, encontro uma visão da arquitectura construída através da interrogação permanente sobre a sua prática, ética e poética, uma “arquitectura em questão”. Procurei a expressão dessa imprescindível inquietação de nunca acreditarmos num mundo ou no conhecimento como produto final e encerrado.

A forma e a narrativa do filme revelam-se ao longo das aproximações ao homem e ao pensamento, à obra em construção e à obra habitada. Parti de três obras que me permitem abarcar diversos tempos do largo trajecto profissional do arquitecto, como é o caso da Pousada de Santa Bárbara, em Oliveira do Hospital, e da escola dos Olivais, em Lisboa. São obras mais antigas de Manuel Tainha, projectadas e construídas entre finais dos anos 50 e os anos 70, e que voltam às mãos do arquitecto para a concepção da sua requalificação, corridos mais de quarenta anos. A terceira obra é a Casa Gallo, casa privada projectada em finais dos anos 60 em São Pedro de Moel, hoje frequentemente visitada por estudantes e investigadores como significativa expressão da arquitectura moderna em Portugal.

Dialogar com a visão, a poética e a arquitectura de Manuel Tainha implica não rimar apenas com o desenho, o espaço e a luz , mas também com o movimento, o tempo e a vida que os habitam.
O pensamento e as palavras de Manuel Tainha conduzem-me através destas obras, continuando a afirmar uma responsável solidariedade da prática e da teoria, uma experiência sensível do mundo.

Adensam-se as correspondências, e o cinema, a literatura, a música, tornam-se frequentemente âmago das conversas com o arquitecto.

Penso o cinema documentário enquanto experiência do mundo, experiência do limite entre mim e o outro, entre o sentimento e a linguagem, entre o que está em campo e fora de campo, entre o dizível e o indizível. Dedico este filme a Manuel Tainha, que com interesse e enorme generosidade o tornou possível.

(LF)

argumento e realização LUCIANA FINA
a partir dos textos de MANUEL TAINHA


imagem JOÃO RIBEIRO, LUCIANA FINA
montagem OLGA RAMOS, LUCIANA FINA
som OLIVIER BLANC, ARMANDA CARVALHO
colorista MARCO AMARAL
mistura de som ELSA FERREIRA
estúdio de pós-produção SUNFLAG


material arquivo
RTP Programas e notíciarios 1966 -1978
RTP “Sonhos e Armas” Cinequanon 1974
“The Mind Benders” Basil Dearden 1962
“HOPPLA!” - ROSAS 1989
realização Wolfgang Kolb coreografia Anne Teresa De Keersmaeker
músicos Walter Hus, Stefan Poelmans, Mondriaan Quartet


música
BÉLA BARTÓK
Mikrokosmos, Quarteto de Cordas Nº4
Quarteto de Cordas Nº2, Nº5, Sonata para Violino Solo


fotografias
família Tainha, atelier Manuel Tainha, Fernando Bagulho, Gil Moreira
apoio à pré-produção
DUPLACENA
apoio à divulgação
TRIENAL DE ARQUITECTURA DE LISBOA


produção
LAFstudio | LUCIANA FINA
co-produção
RTP

apoio financeiro
FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN